Efeitos colaterais da infiltração de ácido hialurônico no joelho: o que é comum e o que é raro
Publicado em 29 de outubro de 2026 · Conteúdo informativo, aguardando revisão clínica do Dr. Arthur Faria
Antes de qualquer infiltração, vale saber o que pode acontecer depois. Com o ácido hialurônico, a maior parte das reações acontece no próprio joelho, é leve e passa em poucos dias. Existem efeitos raros que você precisa reconhecer, e os estudos não concordam totalmente sobre o risco de eventos graves.

Resposta rápida
Os efeitos colaterais mais comuns da infiltração de ácido hialurônico no joelho são dor, calor e inchaço leve no local, que costumam passar em poucos dias. Reações inflamatórias fortes, crise de pseudogota, alergia e infecção são raras. Algumas revisões encontraram mais eventos adversos graves do que com placebo; outras não encontraram diferença.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns?
Os mais frequentes acontecem no próprio joelho: dor no local da picada, sensação de calor e um inchaço leve logo depois da aplicação. Na maioria das pessoas, isso diminui sozinho em poucos dias.
A Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), no material para pacientes, descreve dor, calor e leve inchaço logo após a injeção, que melhoram com gelo e costumam passar rápido. Uma revisão de 74 estudos, com mais de 13 mil participantes, encontrou reações locais em cerca de 8,5% dos casos, somando todos os produtos. As mais citadas foram dor, inchaço e dor na articulação, que regrediram rapidamente.
Outra meta-análise, com 35 estudos randomizados e cerca de 8 mil pacientes, comparou o ácido hialurônico com injeção de soro fisiológico. As reações locais foram um pouco mais frequentes com o ácido hialurônico (14,5% contra 11,7%), todas não graves e, em geral, resolvidas em dias. Parte dos autores desse trabalho é funcionária de uma empresa do setor, o que vale ter em mente. O grupo do soro também teve reações, um lembrete de que a própria picada e o volume injetado explicam parte do incômodo.
Quais reações são raras, mas importantes?
Raramente o joelho reage com uma inflamação forte: enche de líquido, fica vermelho, quente e dolorido. Também há relatos raros de pseudogota, de reações alérgicas e, muito raramente, de infecção ou sangramento.
A AAOS descreve essa reação rara como uma reação local parecida com alergia, dentro do joelho, e orienta avisar o médico imediatamente se ela acontecer. Infecção e sangramento aparecem como complicações muito raras do procedimento.
Uma revisão sobre a segurança desses produtos relatou casos raros de pseudogota (crise inflamatória causada por cristais dentro da articulação) e de reações anafilactoides, que são reações alérgicas mais intensas, com todos os produtos analisados. Também descreveu reações inflamatórias agudas graves, chamadas de joelho pseudosséptico, porque imitam uma infecção. Alguns produtos são obtidos de crista de galo, e um paciente com reação grave desenvolveu anticorpos contra proteínas de frango, o que sugere uma origem imunológica.
Numa revisão ampla, com 559 estudos de vários tipos e mais de 76 mil pacientes tratados com diferentes injeções no joelho, a taxa de eventos adversos graves com ácido hialurônico foi de 0,7%, e a de infecção, de 0,1%.
O ácido hialurônico aumenta o risco de eventos graves?
Aqui os estudos divergem. Duas meta-análises independentes encontraram um risco um pouco maior de eventos adversos graves em quem recebeu ácido hialurônico do que em quem recebeu placebo; outras revisões não encontraram essa diferença.
Uma revisão publicada em 2012 no Annals of Internal Medicine reuniu 14 estudos com 3.667 pacientes e encontrou risco relativo de 1,41 para eventos graves, ou seja, cerca de 40% a mais que no grupo placebo. Os autores alertam que a qualidade dos estudos era em geral baixa e que os dados de segurança muitas vezes não eram relatados. Em 2022, uma meta-análise no BMJ, com 15 estudos grandes e 6.462 participantes, chegou a um número parecido: risco relativo de 1,49.
Do outro lado, a meta-análise de 8 mil pacientes citada acima encontrou 1,8% de eventos graves com ácido hialurônico e 1,2% com soro, uma diferença que não foi estatisticamente significativa. A revisão de 74 estudos registrou 3 eventos graves relacionados ao tratamento entre 9.214 participantes.
O que dá para dizer com honestidade: eventos graves são incomuns, mas a dúvida sobre se o ácido hialurônico aumenta esse risco não está resolvida. O Colégio Americano de Reumatologia cita a possibilidade de dano como um dos motivos da sua recomendação condicional contra o uso de rotina no joelho.
Quando a reação depois da aplicação merece atendimento?
Quando o joelho, em vez de melhorar, fica cada vez mais inchado, vermelho, quente e dolorido, ou quando aparece febre. Nesses casos é preciso avaliação no mesmo dia, porque só o exame diferencia uma reação inflamatória de uma infecção.
Procure atendimento imediato se, depois da infiltração, você tiver:
- joelho cheio de líquido, vermelho, quente e muito dolorido;
- febre junto com dor e inchaço na articulação;
- dor intensa que piora ao mexer o joelho ou impede de apoiar a perna;
- falta de ar, chiado, inchaço no rosto, nos olhos ou na língua, ou placas vermelhas que coçam pelo corpo.
Os três primeiros itens aparecem na orientação da AAOS sobre viscossuplementação e na descrição de artrite séptica (infecção na articulação) da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos (MedlinePlus). O último reúne sinais de anafilaxia, uma reação alérgica grave que, segundo o MedlinePlus, costuma surgir em segundos ou minutos e é uma emergência. Se aparecer qualquer um deles, ligue para o consultório ou vá a um pronto atendimento.
O que ajuda a diminuir o risco e o desconforto?
Contar ao médico seu histórico de alergias, crises de gota ou pseudogota e reações a infiltrações anteriores. Depois, seguir os cuidados combinados para os primeiros dias e usar gelo se o local incomodar.
Se o joelho estiver com muito líquido no dia da aplicação, a AAOS descreve que o médico pode retirar esse excesso antes de injetar o ácido hialurônico, geralmente pela mesma agulha. O gelo ajuda nas reações locais leves.
Nas primeiras 48 horas, a AAOS orienta evitar atividade excessiva, como corrida ou carregar peso. O que vale para você, inclusive trabalho e treino, é combinado na saída. Os detalhes estão em repouso depois do ácido hialurônico no joelho.
Ajuda também saber o que é esperado: algum incômodo nos primeiros dias faz parte, e o alívio, quando vem, demora semanas para aparecer. Sobre a sensação na hora, leia ácido hialurônico no joelho dói?, e sobre o prazo do efeito, quanto tempo dura o efeito do ácido hialurônico. Para entender o procedimento como um todo, veja a página de infiltração com ácido hialurônico.
Se quiser saber se o seu caso tem indicação, o caminho é a consulta: agendar pelo WhatsApp particular ou, pelo convênio, falar com a Clínica Santa Marta.
Dúvidas frequentes
Ácido hialurônico no joelho pode dar alergia?
Pode, mas é raro. Há relatos de reações alérgicas intensas com os produtos estudados, e alguns são obtidos de crista de galo. Por isso, conte antes qualquer alergia conhecida.
Quem tem diabetes precisa se preocupar com a glicose?
O aumento da glicose em pessoas com diabetes é um efeito descrito para a infiltração com corticoide. Nas revisões de segurança do ácido hialurônico citadas aqui, os efeitos relatados foram sobretudo locais. Veja as diferenças em ácido hialurônico ou corticoide.
Mais aplicações significam mais efeitos colaterais?
Uma meta-análise encontrou mais eventos adversos relacionados ao tratamento nos esquemas de cinco ou mais aplicações, o que não apareceu nos esquemas de uma a quatro. É um dos pontos discutidos em dose única ou várias aplicações.
Tive reação numa aplicação anterior. Posso fazer de novo?
Depende do tipo de reação e do produto usado. Leve para a consulta o que aconteceu, quanto tempo durou e, se tiver, o nome do produto aplicado. A decisão de repetir, trocar de produto ou escolher outro tratamento é individual.
Referências
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- MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine). Anaphylaxis. medlineplus.gov/ency/article/000844.htm

Conteúdo informativo preparado pela equipe do site a partir das referências listadas acima. Ainda não passou pela revisão clínica do Dr. Arthur Faria (CRM-MG 70688, RQE 61843), médico responsável pelo site. Não substitui a consulta: o que vale para o seu caso é definido na avaliação.
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