Dr. Arthur Faria, Medicina Regenerativa, Ortopedia e Traumatologia

Infiltração articular em Uberlândia: o que é, tipos e quando faz sentido

Infiltração é a aplicação de um medicamento ou substância diretamente na articulação ou ao redor de um tendão, com agulha. No meu consultório, toda infiltração é guiada por ultrassom. Ela entra como complemento ao tratamento, não como substituta de fisioterapia nem de cirurgia indicada.

Imagem ilustrativa: mãos com luvas preparando seringa e frasco numa bandeja

O que é uma infiltração?

Infiltração é um procedimento em que se injeta uma substância em um ponto específico do corpo: dentro de uma articulação (como o joelho ou o ombro), em uma bursa, ao redor de um tendão ou em um ligamento. O objetivo é agir no local da dor, em vez de depender só do remédio tomado por via oral.

É um procedimento de consultório, feito com anestesia local na pele, em poucos minutos. A diferença entre uma infiltração e outra está na substância usada e no alvo. É por isso que a pergunta "infiltração funciona?" não tem uma resposta única: depende do que se infiltra, onde e para qual problema.

Quais são os tipos de infiltração?

No consultório, trabalho com quatro grupos: ácido hialurônico (viscossuplementação), plasma rico em plaquetas (PRP), proloterapia e, em situações específicas, corticoide. Os ortobiológicos são o conceito mais amplo em que o PRP se encaixa.

  • Ácido hialurônico: um gel semelhante ao líquido que lubrifica a articulação. Usado sobretudo na artrose de joelho.
  • PRP: concentrado de plaquetas do seu próprio sangue. Usado em artrose de joelho, cotovelo de tenista, tendinites como as do ombro e lesões do esporte.
  • Proloterapia: injeção de uma solução, em geral de glicose concentrada, em ligamentos, tendões e articulações, para provocar uma resposta local de reparo.
  • Corticoide: anti-inflamatório potente aplicado no local. Alivia rápido em quadros inflamatórios agudos, mas tem limites de repetição e não é indicado dentro de tendão.
  • Ortobiológicos: o conceito por trás das substâncias derivadas do próprio corpo, com os limites que a regulamentação impõe.

Como as opções se comparam?

A tabela abaixo resume o que cada substância é, para que costuma ser usada, o que a regra ou a evidência diz e quando não é indicada. É um resumo para orientar a conversa, não uma prescrição.

SubstânciaO que éPara que costuma ser usadaO que a regra ou a evidência dizQuando não é indicada
Ácido hialurônicoGel sintético ou de origem biológica, semelhante ao líquido sinovialArtrose de joelho; em alguns casos, quadril, ombro e tornozeloDiretrizes internacionais divergem: algumas recomendam com ressalva, outras não recomendam de rotina. Pode ajudar em casos selecionados de artrose leve a moderadaInfecção ativa, alergia conhecida ao produto, pele lesada no local, artrose muito avançada com deformidade
PRPPlaquetas concentradas do próprio sangue, por centrifugaçãoArtrose de joelho, cotovelo de tenista, tendinites crônicas (inclusive do manguito rotador) e lesões musculares do esporteEvidência mais consistente de alívio de dor em artrose de joelho e epicondilite; nas outras tendinopatias e nas lesões musculares, resultados favoráveis com variação entre estudos. Feito com consentimento por escritoInfecção; alteração de plaquetas ou da coagulação; câncer em atividade; gestação
CorticoideAnti-inflamatório potente, de ação localBursite, sinovite, crise de dor inflamatória; cotovelo de tenista em curto prazoAlívio rápido, geralmente de semanas. Na epicondilite, estudos mostram resultado pior a médio prazo em comparação com não infiltrar. Repetições frequentes são evitadasDentro do tendão (risco de rotura); infecção; diabetes descompensado; muitas aplicações no mesmo lugar
ProloterapiaSolução irritante, em geral glicose hipertônicaTendinopatias, instabilidade ligamentar, artrose leveEvidência menor e mais heterogênea que a do ácido hialurônico e do PRP. Estudos pequenos sugerem alívio em artrose de joelho e tendinopatiasInfecção; alergia aos componentes; expectativa de resultado rápido, pois a resposta é gradual

Número de aplicações e duração do efeito variam conforme o caso e são definidos na consulta. Nenhuma infiltração garante resultado.

Para quem a infiltração costuma ser indicada?

Para quem tem dor articular ou de tendão de origem definida, já fez o tratamento de base (remédio, fisioterapia, ajuste de carga) e ainda tem limitação na rotina. Também para quem não quer ou não pode operar agora e precisa de uma ponte para seguir ativo.

Perfis comuns no consultório: a pessoa com artrose de joelho que já fortalece e ainda sente dor ao subir escada; o tenista com dor no cotovelo que não quer parar de jogar; quem tem rotura parcial do manguito rotador e está em fisioterapia; o corredor com tendinite que já reduziu o treino e não melhora.

Por que guiar a infiltração por ultrassom?

Porque a agulha precisa chegar no lugar certo. O ultrassom mostra, em tempo real, a articulação, o tendão, os vasos e a ponta da agulha. Isso permite aplicar a substância onde ela deve agir e evitar estruturas que não devem ser atingidas.

Sem imagem, a infiltração é feita por referências anatômicas e pela sensação da mão. Funciona em muitos casos, mas estudos de infiltração "às cegas" mostram uma parcela de aplicações fora do alvo, sobretudo em articulações mais profundas, como o quadril e o ombro. Explico em detalhe na página sobre ultrassom.

Quando não infiltrar

  • Infecção ativa na pele ou na articulação, ou febre sem causa definida
  • Lesão que tem indicação cirúrgica clara, como rotura completa e recente de tendão em paciente jovem e ativo
  • Dor sem diagnóstico definido: infiltrar sem saber o alvo não ajuda e atrasa a investigação
  • Expectativa de que a infiltração substitua a fisioterapia ou corrija uma artrose avançada
  • Uso de anticoagulante sem ajuste combinado com o médico que o prescreve

Dizer não para a infiltração faz parte do trabalho. Quando ela não é a resposta, o papel da consulta é apontar o que é.

Como faço no consultório

Eu avalio, eu infiltro. A infiltração é consequência de uma consulta em que entendi a sua rotina, examinei a articulação e vi a estrutura no ultrassom. Não faço infiltração "por encomenda" de uma substância escolhida antes do diagnóstico.

No dia do procedimento: posiciono você de forma confortável, limpo a pele com antisséptico, aplico anestesia local, localizo o alvo com o ultrassom e acompanho a agulha na tela até a aplicação. O procedimento costuma levar poucos minutos. Você recebe as orientações por escrito e sai andando do consultório.

Depois, o combinado é simples: repouso relativo da articulação por um ou dois dias, gelo se houver desconforto, e retorno para reavaliar. A volta à atividade e ao esporte é liberada por etapas, conforme a resposta.

Se quiser saber se o seu caso tem indicação, o caminho é a consulta: agendar pelo WhatsApp particular ou, pelo convênio, falar com a Clínica Santa Marta.

Dúvidas frequentes

Infiltração dói?

Há um desconforto breve na entrada da agulha, reduzido pela anestesia local na pele. A maioria das pessoas descreve como uma pressão. A dor nos dias seguintes, quando acontece, é leve e passageira.

Quantas infiltrações posso fazer?

Depende da substância. Corticoide tem limite de repetições no mesmo lugar. Ácido hialurônico, PRP e proloterapia podem ser feitos em série ou repetidos depois de meses, conforme a resposta. O plano é individual e definido na consulta.

Infiltração engorda ou faz mal ao estômago, como o anti-inflamatório?

A ação é local, então os efeitos no estômago, no rim e na pressão associados ao anti-inflamatório oral não se aplicam da mesma forma. O corticoide injetado pode, em algumas pessoas, elevar a glicemia por alguns dias; ácido hialurônico, PRP e proloterapia não têm esse efeito.

Posso dirigir depois?

Depois de infiltração em ombro, cotovelo ou mão, em geral sim. Depois de joelho ou quadril, prefiro que outra pessoa dirija na volta, por causa do desconforto inicial.

A infiltração evita a cirurgia?

Não é assim que ela deve ser vista. A infiltração pode aliviar a dor e adiar a necessidade de operar em casos selecionados, mas não corrige uma lesão que tem indicação cirúrgica. Quando a cirurgia é a resposta correta, é isso que vou dizer.

Referências

  1. Bannuru RR et al. OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis and Cartilage, 2019.
  2. American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS). Management of Osteoarthritis of the Knee (Non-Arthroplasty), Evidence-Based Clinical Practice Guideline, 3ª edição, 2021.
  3. Coombes BK, Bisset L, Vicenzino B. Efficacy and safety of corticosteroid injections and other injections for management of tendinopathy: a systematic review of randomised controlled trials. The Lancet, 2010.
  4. Fitzpatrick J et al. The effectiveness of platelet-rich plasma in the treatment of tendinopathy: a meta-analysis of randomized controlled clinical trials. The American Journal of Sports Medicine, 2017.
  5. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), sbot.org.br.
Dr. Arthur Faria
Dr. Arthur Faria

Ortopedista e traumatologista, CRM-MG 70688, RQE 61843, TEOT 19581. Texto escrito e revisado pelo médico em outubro de 2026.

Quer saber se o seu caso tem indicação?

A consulta particular acontece às segundas, das 8h às 12h, na Lídice, em Uberlândia. Valor: R$ 450,00. Se for usar convênio, o caminho é a Clínica Santa Marta.

Vou usar convênio

Agendar consulta particular
Agendar consulta particular Convênio