Dr. Arthur Faria, Medicina Regenerativa, Ortopedia e Traumatologia

Infiltração no ombro: quando é indicada no manguito rotador e no ombro congelado

Publicado em 29 de outubro de 2026 · Conteúdo informativo, aguardando revisão clínica do Dr. Arthur Faria

O ombro tem mais de um alvo possível para uma infiltração, como a bursa acima do manguito rotador e a própria articulação. Por isso a pergunta não é só se a infiltração ajuda, mas para qual problema e em qual momento.

Imagem ilustrativa: mãos com luvas posicionando o transdutor de ultrassom sobre um ombro

Resposta rápida

A infiltração no ombro costuma ser considerada em dois cenários: a dor do manguito rotador, como tendinopatia e bursite, em geral junto com fisioterapia, e o ombro congelado na fase inicial. O corticoide é a substância mais estudada; o alívio tende a ser de curto prazo e aparece mais quando a infiltração vem junto com exercício.

A infiltração ajuda na dor do manguito rotador?

Ajuda pouco e por pouco tempo, principalmente quando é feita junto com fisioterapia. Sozinha, ela não mostrou vantagem sobre a fisioterapia na maior parte dos estudos.

Uma revisão de 2025 reuniu 15 estudos randomizados com 1.785 pessoas com tendinopatia do manguito rotador. O corticoide somado à fisioterapia trouxe melhora pequena a moderada de dor e função no curto prazo, em comparação com a fisioterapia sozinha. O corticoide isolado não foi superior à fisioterapia, e em médio e longo prazo não houve vantagem. A certeza da evidência variou de moderada a muito baixa.

A revisão Cochrane de 2003 já apontava na mesma direção: benefício pequeno sobre o placebo em alguns estudos, nenhuma vantagem sobre o anti-inflamatório por boca e efeito que tende a não se manter. Uma revisão publicada na revista Lancet em 2010 chegou a classificar como incerto o efeito de curto prazo do corticoide nessa tendinopatia. Saiba mais sobre a lesão do manguito rotador e leia ruptura parcial do manguito: fisioterapia ou infiltração?

E no ombro congelado?

Aqui a evidência a favor do corticoide é mais clara. Na capsulite adesiva, o ombro congelado, a aplicação dentro da articulação na fase inicial foi a única intervenção que mostrou vantagem clara no curto prazo numa grande revisão de 2020.

Essa revisão, publicada no JAMA Network Open, analisou 65 estudos com 4.097 participantes. O corticoide dentro da articulação superou placebo, ausência de tratamento e fisioterapia para dor e função em até 12 semanas. Somar exercícios em casa e fisioterapia pode trazer benefício adicional no médio prazo. A conclusão dos autores é que o uso precoce, em ombro congelado com menos de 1 ano de evolução, se associa a resultado mais favorável, sempre acompanhado de exercícios.

Uma revisão de 2023 sobre infiltrações também cita a capsulite adesiva entre as situações em que o corticoide ajuda. Mesmo assim, a infiltração não substitui o trabalho de ganho de movimento: os autores de 2020 reforçam que ela deve vir acompanhada de um programa de exercícios em casa.

Faz diferença guiar a infiltração no ombro?

Para a precisão, sim; para o resultado, os estudos ainda não mostraram diferença clara. A revisão Cochrane sobre o tema não encontrou vantagem de dor, função ou segurança com o ultrassom em relação à aplicação por referência anatômica.

Essa revisão reuniu 5 estudos com 290 participantes. Um dado chamou a atenção: a infiltração guiada na bursa não superou a mesma substância aplicada no músculo do glúteo, o que sugere que parte do efeito do corticoide no ombro vem da absorção pelo corpo. Os autores reconhecem que a imagem pode melhorar a precisão; o que falta provar é se isso muda o resultado.

No consultório, as infiltrações são feitas com guia por ultrassom, o que também permite ver o tendão e a bursa no mesmo momento. A diferença entre as duas formas está em infiltração às cegas ou guiada.

Outras substâncias são usadas no ombro?

São estudadas, mas este artigo se concentra no corticoide, que é o foco das revisões citadas aqui. Ácido hialurônico e PRP aparecem em pesquisas e são assuntos de artigos próprios, porque a evidência e as indicações são diferentes.

Uma revisão de 2023 sobre infiltrações lembra que o corticoide não é indicado dentro do tendão e que aplicações repetidas podem levar à degeneração do tecido. Sobre o ácido hialurônico, leia ácido hialurônico no ombro; sobre tendinites em geral, veja tendinites.

Quando a infiltração no ombro não é indicada?

Com infecção no local, fratura ou alergia à substância. E o corticoide pede cautela quando há cirurgia do manguito rotador planejada para os meses seguintes.

Uma revisão sistemática de 2020 encontrou associação entre corticoide aplicado antes da cirurgia de reparo do manguito e maior risco de nova cirurgia, com risco maior quando a infiltração foi feita nos 6 meses anteriores. Infiltrações no mês anterior à cirurgia se associaram a mais infecção pós-operatória. Os autores recomendam evitar o corticoide quando o reparo está previsto para os 6 meses seguintes. São estudos de nível de evidência mais baixo, mas a recomendação de cautela é clara.

Também não faz sentido infiltrar antes de saber de onde vem a dor. Num estudo com 116 pessoas que receberam infiltração no ombro, 5,2% acabaram encaminhadas para avaliação da coluna. Às vezes uma infiltração com anestésico é usada justamente para ajudar a localizar a origem da dor. A indicação é individual e definida depois do exame. Os riscos gerais estão em riscos da infiltração.

Se quiser saber se o seu caso tem indicação, o caminho é a consulta: agendar pelo WhatsApp particular ou, pelo convênio, falar com a Clínica Santa Marta.

Dúvidas frequentes

Infiltração no ombro resolve tendinite?

Não resolve sozinha. Nos estudos, o alívio do corticoide é de curto prazo e aparece mais quando vem junto com fisioterapia. Na revisão de 2025, os autores concluem que a fisioterapia pode ser um tratamento importante por si só.

Quanto tempo depois posso fazer fisioterapia?

Varia conforme o caso. Num estudo de infiltração no ombro, a fisioterapia começou de 7 a 10 dias depois da aplicação. O médico combina o início com o fisioterapeuta.

O ombro pode doer mais nos dias seguintes?

Pode. Num estudo com 116 pessoas que receberam corticoide no ombro, cerca de 1 em cada 3 teve piora passageira, que durou em média 4 dias, sem prejuízo do resultado final. Veja o que é normal sentir depois.

Referências

  1. Lazzarini SG et al. Effectiveness of Additional or Standalone Corticosteroid Injections Compared to Physical Therapist Interventions in Rotator Cuff Tendinopathy: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Physical therapy, 2025. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39836429
  2. Buchbinder R et al. Corticosteroid injections for shoulder pain. The Cochrane database of systematic reviews, 2003. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12535501
  3. Coombes BK et al. Efficacy and safety of corticosteroid injections and other injections for management of tendinopathy: a systematic review of randomised controlled trials. Lancet (London, England), 2010. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20970844
  4. Challoumas D et al. Comparison of Treatments for Frozen Shoulder: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA network open, 2020. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33326025
  5. Creech-Organ JA et al. Joint and Soft Tissue Injections. American family physician, 2023. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37590853
  6. Bloom JE et al. Image-guided versus blind glucocorticoid injection for shoulder pain. The Cochrane database of systematic reviews, 2012. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22895984
  7. Puzzitiello RN et al. Adverse Impact of Corticosteroid Injection on Rotator Cuff Tendon Health and Repair: A Systematic Review. Arthroscopy : the journal of arthroscopic & related surgery : official publication of the Arthroscopy Association of North America and the International Arthroscopy Association, 2020. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31862292
  8. Fawi HMT et al. The incidence of flare reaction and short-term outcome following steroid injection in the shoulder. Shoulder & elbow, 2017. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28588659
Dr. Arthur Faria
Sobre este texto

Conteúdo informativo preparado pela equipe do site a partir das referências listadas acima. Ainda não passou pela revisão clínica do Dr. Arthur Faria (CRM-MG 70688, RQE 61843), médico responsável pelo site. Não substitui a consulta: o que vale para o seu caso é definido na avaliação.

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