Dr. Arthur Faria, Medicina Regenerativa, Ortopedia e Traumatologia

Ácido hialurônico no ombro: em que situações é considerado e o que os estudos mostram

Publicado em 29 de outubro de 2026 · Conteúdo informativo, aguardando revisão clínica do Dr. Arthur Faria

O ácido hialurônico é mais conhecido pela artrose de joelho, mas também é aplicado no ombro. Os estudos no ombro são menos numerosos e mais heterogêneos, e o resultado muda bastante conforme o problema que está causando a dor.

Imagem ilustrativa: joelho de um adulto sentado, com as mãos sobre o joelho

Resposta rápida

A infiltração no ombro com ácido hialurônico é considerada principalmente na artrose da articulação do ombro e, com evidência mais fraca, no ombro congelado e na tendinopatia do manguito rotador. As revisões mostram melhora da dor, mas os grupos de comparação também melhoram. A indicação é individual, depois do exame.

Em que problemas do ombro o ácido hialurônico é estudado?

Em três situações principais: a artrose da articulação do ombro (artrose glenoumeral), a capsulite adesiva, conhecida como ombro congelado, e a tendinopatia do manguito rotador. A evidência é diferente em cada uma.

Na artrose, a cartilagem entre a cabeça do úmero e a escápula se desgasta, como acontece no joelho. Na capsulite adesiva, a cápsula da articulação fica inflamada e rígida, e o movimento diminui. Na tendinopatia do manguito, o problema está nos tendões que envolvem o ombro, e não na cartilagem.

As grandes diretrizes de artrose citadas neste site tratam de joelho, quadril e mão, e não do ombro. Para o ombro, o que existe são revisões sistemáticas menores, com estudos de qualidade variável. É com elas que se discute a indicação.

Na artrose do ombro, o que mostram os estudos?

Mostram melhora da dor depois do ácido hialurônico, mas os grupos de comparação também melhoraram, o que sugere um efeito placebo importante. A evidência ainda é considerada incerta.

Uma meta-análise de 2019, no Journal of Shoulder and Elbow Surgery, encontrou redução média da dor de cerca de 26 milímetros aos 3 meses e de 29 milímetros aos 6 meses, numa escala de 100. Os grupos controle tiveram melhora parecida, e os autores concluem que pode haver um efeito placebo relevante na injeção no ombro e que faltam estudos para definir o esquema de aplicação.

Outra meta-análise, de 2023, com 15 estudos randomizados e 1.023 pessoas, encontrou resultado mais favorável quando o ácido hialurônico foi somado à fisioterapia do que com a fisioterapia sozinha, e também em comparação com o corticoide. Quase metade dos estudos incluídos tinha sinais de falha na randomização.

A Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) lembra que o tratamento inicial da artrose do ombro não é cirúrgico: ajuste das atividades, fisioterapia, anti-inflamatórios e, em alguns casos, infiltração com corticoide, que pode aliviar bastante, mas costuma ter efeito temporário.

E no ombro congelado (capsulite adesiva)?

Nas revisões, o ácido hialurônico ajudou em parte do movimento do ombro, mas não aliviou a dor mais do que os outros tratamentos comparados.

Uma meta-análise de 2022, com 7 estudos randomizados e 504 pacientes, não encontrou controle da dor superior ao de outros tratamentos. Houve ganho na rotação externa do ombro, mas não na elevação lateral nem na elevação para a frente, e as escalas de função tiveram resultados diferentes entre si.

Uma meta-análise em rede de 2026, que reuniu 14 estudos sobre dor crônica no ombro, encontrou eficácia moderada do ácido hialurônico de alto peso molecular na capsulite adesiva. Os autores pedem estudos de qualidade mais alta para confirmar.

E nas dores do manguito rotador?

Aqui a evidência é a mais fraca, e os estudos apontam em direções diferentes. A fisioterapia continua sendo a base do tratamento da tendinopatia do manguito.

Uma revisão da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo, publicada em 2026, encontrou só 2 estudos randomizados (130 pessoas) comparando ácido hialurônico com fisioterapia. O ácido hialurônico teve vantagem de curto prazo, sobretudo até três meses, mas a certeza da evidência foi classificada como muito baixa.

Já a meta-análise em rede de 2026 encontrou o contrário para a dor: na tendinopatia, a fisioterapia reduziu mais a dor em repouso, à noite e durante a atividade do que o ácido hialurônico, aos 3 e aos 6 meses. Saiba mais sobre o problema em lesão do manguito rotador.

Então, quando o ácido hialurônico entra na conversa?

A indicação é individual e começa pelo diagnóstico. Saber se a dor vem da articulação, da cápsula ou dos tendões muda tudo, porque a evidência é diferente em cada caso.

Em geral, a infiltração é discutida como complemento da fisioterapia, quando a dor atrapalha a reabilitação, e não no lugar dela. A escolha entre ácido hialurônico, corticoide ou outra opção leva em conta o diagnóstico, as outras doenças e o que já foi tentado. Na consulta, o exame físico e o ultrassom ajudam a localizar a origem da dor.

No ombro, o alvo da agulha muda conforme o diagnóstico: a articulação, a cápsula ou a região dos tendões. A guia por ultrassom ajuda a chegar ao lugar planejado. Veja como funciona em infiltração guiada por ultrassom e conheça o tratamento na página de infiltração com ácido hialurônico.

Se quiser saber se o seu caso tem indicação, o caminho é a consulta: agendar pelo WhatsApp particular ou, pelo convênio, falar com a Clínica Santa Marta.

Dúvidas frequentes

O ácido hialurônico no ombro é igual ao do joelho?

A substância é da mesma família; o que muda é o alvo da agulha e a quantidade de estudos. No ombro, a evidência é bem menor, e os autores das revisões ainda pedem estudos para definir o esquema de aplicação.

A infiltração substitui a fisioterapia no ombro?

Não. Na artrose, os estudos mais favoráveis somaram o ácido hialurônico à fisioterapia. Na tendinopatia do manguito, uma meta-análise encontrou mais alívio da dor com a fisioterapia do que com o ácido hialurônico.

No ombro, o ácido hialurônico funciona mais que o corticoide?

Uma meta-análise na artrose do ombro encontrou resultado mais favorável para o ácido hialurônico, com estudos de qualidade variável. O corticoide pode aliviar bastante, mas costuma ter efeito temporário. Compare os dois em ácido hialurônico ou corticoide.

Serve para ruptura do manguito rotador?

As revisões citadas aqui avaliaram tendinopatia, e não rupturas completas. Se há ruptura, o tratamento depende do tamanho da lesão, dos sintomas e da função do ombro, e é discutido na consulta.

Referências

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  2. Familiari F et al. Efficacy of intra-articular injections of hyaluronic acid in patients with glenohumeral joint osteoarthritis: A systematic review and meta-analysis. Journal of orthopaedic research : official publication of the Orthopaedic Research Society, 2023. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37314198
  3. Mao B et al. The Effect of Intra-articular Injection of Hyaluronic Acid in Frozen Shoulder: a Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Journal of orthopaedic surgery and research, 2022. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35241100
  4. Fernandes MR et al. EVIDENCE-BASED REVIEWS & RECOMMENDATIONS FROM THE BRAZILIAN SOCIETY OF SHOULDER AND ELBOW SURGERY: HYALURONIC ACID INJECTION VERSUS PHYSIOTHERAPY FOR ROTATOR CUFF TENDINOPATHY IN ADULTS. Acta ortopedica brasileira, 2026. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42683435
  5. Marra A et al. Comparison of the Efficacy of Hyaluronic Acid Versus Corticosteroids, Platelet-Rich Plasma, and Physical Therapy in Chronic Shoulder Pain: A Systematic Review and a Frequentist Network Meta-Analysis. Archives of physical medicine and rehabilitation, 2026. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42069289
  6. American Academy of Orthopaedic Surgeons, OrthoInfo. Arthritis of the Shoulder. orthoinfo.aaos.org/en/diseases--conditions/arthritis-of-the-shoulder
  7. Bannuru RR et al. OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis and cartilage, 2019. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31278997
  8. Kolasinski SL et al. 2019 American College of Rheumatology/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis care & research, 2020. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31908149
Dr. Arthur Faria
Sobre este texto

Conteúdo informativo preparado pela equipe do site a partir das referências listadas acima. Ainda não passou pela revisão clínica do Dr. Arthur Faria (CRM-MG 70688, RQE 61843), médico responsável pelo site. Não substitui a consulta: o que vale para o seu caso é definido na avaliação.

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