Riscos da infiltração: o que é comum, o que é raro e o que muda com cada substância
Publicado em 29 de outubro de 2026 · Conteúdo informativo, aguardando revisão clínica do Dr. Arthur Faria
Toda infiltração é um procedimento com agulha, e todo procedimento tem riscos. Na maior parte das vezes, o que acontece é leve e passa sozinho. O que muda a conta é a substância usada, o local da aplicação e a sua saúde.

Resposta rápida
As consequências mais comuns da infiltração são leves e passam sozinhas: dor, inchaço e vermelhidão no local por um ou dois dias. Com corticoide, também podem aparecer rubor no rosto e aumento da glicose em quem tem diabetes. Complicações sérias, como infecção na articulação, são raras, mas exigem atendimento rápido.
Quais são as consequências mais comuns?
As mais comuns são locais: dor, inchaço e vermelhidão no ponto da aplicação. Uma revisão sobre infiltrações de quadril e joelho descreve essas reações inflamatórias como a complicação mais frequente, com dor que costuma durar de 24 a 48 horas e passar sozinha.
Com corticoide, uma revisão de segurança publicada em 2023 concluiu que a maioria dos estudos relata efeitos leves e autolimitados, com frequência parecida com a do placebo. Os próprios autores fazem uma ressalva importante: os números variam muito de um estudo para outro e vêm, em boa parte, de dados retrospectivos. Na revisão Cochrane de corticoide no joelho, quem recebeu corticoide não teve mais efeitos adversos do que o grupo controle, mas o resultado é impreciso.
Há também o mal-estar ligado à própria agulha. A reação vasovagal, aquela sensação súbita de que vai desmaiar, aparece entre os efeitos sistêmicos descritos depois de infiltrações. O que você sente na hora e nos dias seguintes está explicado em infiltração dói?.
O risco muda conforme a substância?
Muda. Cada substância tem um perfil de efeitos próprio, e por isso a pergunta sobre riscos só tem resposta completa quando se sabe o que vai ser aplicado e onde.
- Corticoide: no local, a revisão de 2023 lista dor, crise de dor nos primeiros dias, clareamento e afinamento da pele e ruptura de tendão. No corpo, vermelhidão e calor no rosto, aumento do apetite, alterações do humor, aumento da glicose em quem tem diabetes e sangramento em quem já tem risco aumentado.
- Ácido hialurônico: a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) descreve dor, calor e leve inchaço logo após a aplicação, que melhoram com gelo. Raramente, uma reação parecida com alergia deixa o joelho cheio de líquido, vermelho, quente e dolorido. Infecção e sangramento são muito raros.
- PRP: numa revisão de 32 estudos randomizados com 1.268 joelhos, houve algum efeito adverso em 18,7% dos casos, quase sempre dor leve e inchaço passageiros (10,6%). Esses efeitos foram mais frequentes com o PRP rico em leucócitos, e não houve eventos graves.
No caso do ácido hialurônico, uma meta-análise de 2012 com 89 estudos encontrou, nos que registraram eventos adversos graves, um risco maior com a viscossuplementação do que com o controle. Os autores avisam que a qualidade dos estudos era baixa e que os dados de segurança muitas vezes nem eram relatados. É um ponto ainda em discussão, não uma conclusão fechada.
Quais complicações são raras, mas sérias?
A mais temida é a infecção dentro da articulação, chamada artrite séptica. Ela é rara, mas precisa de tratamento rápido. Outras complicações raras são a ruptura de tendão e alterações aceleradas na articulação depois do corticoide.
Infecção. Num registro dinamarquês com 14.118 infiltrações de corticoide, 11 pessoas tiveram artrite séptica, cerca de 0,08%. O risco foi maior em homens, em pessoas mais velhas e em quem já tinha doença naquela articulação. A revisão de 2023 lembra que, apesar de rara, é a complicação mais temida por ser grave.
Tendão. Numa revisão de infiltrações para tendinopatias publicada na revista Lancet, 1 de 991 pessoas que receberam corticoide teve um evento grave, a ruptura de um tendão (0,1%). Uma revisão de 2023 lembra que o corticoide não é indicado dentro do tendão.
Articulação. Uma revisão de radiologia de 2019 descreveu quatro tipos de achado depois de corticoide no quadril e no joelho: progressão acelerada da artrose, fratura por fragilidade do osso logo abaixo da cartilagem, complicações de osteonecrose e destruição rápida da articulação. Os autores ressaltam que faltam estudos grandes para saber com que frequência isso acontece. Num estudo randomizado, corticoide no joelho a cada 3 meses durante 2 anos levou a uma perda de cartilagem um pouco maior que a do soro fisiológico, sem diferença na dor. Por isso o intervalo entre aplicações importa, tema de de quanto em quanto tempo dá para fazer infiltração.
Quem precisa de mais cuidado antes de infiltrar?
Infecção na pele do local, fratura na região e alergia à substância são contraindicações descritas na literatura. Diabetes, uso de anticoagulante, prótese articular e doenças ou remédios que baixam a imunidade pedem uma conversa antes, porque aumentam o risco de alguns efeitos.
Revisões de 2023 e 2024 sobre infiltrações apontam a infecção da pele ou dos tecidos do local como a principal contraindicação, ao lado de fratura e de alergia à substância. A MedlinePlus, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, lista como fatores que aumentam o risco de artrite séptica a prótese articular, doenças crônicas como diabetes e artrite reumatoide, remédios que suprimem a imunidade e cirurgia recente na articulação.
Conte na consulta todos os remédios que você usa, principalmente anticoagulantes, corticoide em comprimido e remédios para imunidade, e se já teve alguma reação a infiltração antes. A decisão de manter, ajustar ou adiar a aplicação é individual. Quem tem diabetes encontra os cuidados específicos em diabetes e infiltração.
O que reduz o risco?
Técnica estéril, critério para repetir aplicações e orientação clara sobre o que observar depois. Nenhuma medida zera o risco, e algumas, como a guia por imagem, ajudam mais na precisão do que na segurança.
No registro dinamarquês com taxa de infecção tão baixa, as aplicações seguiam técnica estéril sem toque e os pacientes eram avisados para procurar atendimento se suspeitassem de infecção ou se não melhorassem. A guia por ultrassom ajuda a agulha a chegar ao alvo; numa revisão Cochrane sobre o ombro, ela não mudou a frequência de efeitos adversos em comparação com a aplicação sem imagem. No consultório, as infiltrações são feitas com guia por ultrassom.
Outro cuidado é não repetir corticoide no mesmo local sem critério: uma revisão de 2023 lembra que aplicações repetidas podem levar à degeneração de cartilagem e de tendão. E saiba de antemão quais sinais pedem atendimento no mesmo dia, detalhados em dor depois da infiltração: o que é normal e o que não é.
Se quiser saber se o seu caso tem indicação, o caminho é a consulta: agendar pelo WhatsApp particular ou, pelo convênio, falar com a Clínica Santa Marta.
Dúvidas frequentes
Infiltração pode dar alergia?
Pode, mas é incomum. Alergia conhecida à substância é uma contraindicação. Com o ácido hialurônico, a AAOS descreve uma reação rara, parecida com alergia, em que o joelho incha, esquenta e fica vermelho; nesse caso o médico precisa ser avisado na hora.
O corticoide da infiltração age no corpo todo?
Em parte, sim. Rubor no rosto, aumento do apetite, alterações do humor e aumento da glicose em quem tem diabetes estão entre os efeitos sistêmicos descritos. Numa revisão Cochrane sobre ombro, a infiltração guiada na bursa não teve resultado superior ao da mesma substância aplicada no músculo do glúteo, o que sugere que parte do efeito vem da absorção pelo corpo.
Infiltração enfraquece o osso ou o tendão?
O risco existe sobretudo com corticoide repetido. Revisões descrevem degeneração de cartilagem e tendão com aplicações repetidas, e a AAOS avisa que o uso excessivo de corticoide no cotovelo de tenista pode enfraquecer o ponto onde o tendão se prende ao osso. Nas fontes citadas aqui, esse efeito aparece ligado ao corticoide.
Quem tem prótese pode fazer infiltração?
A prótese articular está entre os fatores que aumentam o risco de infecção na articulação. Infiltração numa articulação com prótese é uma decisão específica, discutida caso a caso, de preferência junto com o cirurgião que operou.
Referências
- Webb CW et al. Injections of the Hip and Knee. American family physician, 2024. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38227872
- Creech-Organ JA et al. Joint and Soft Tissue Injections. American family physician, 2023. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37590853
- Duarte-Monteiro AM et al. Safety of intra-articular glucocorticoid injections - state of the art. ARP rheumatology, 2023. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37042846
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- Kompel AJ et al. Intra-articular Corticosteroid Injections in the Hip and Knee: Perhaps Not as Safe as We Thought?. Radiology, 2019. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31617798
- McAlindon TE et al. Effect of Intra-articular Triamcinolone vs Saline on Knee Cartilage Volume and Pain in Patients With Knee Osteoarthritis: A Randomized Clinical Trial. JAMA, 2017. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28510679
- MedlinePlus (U.S. National Library of Medicine). Septic arthritis. medlineplus.gov/ency/article/000430.htm
- Bloom JE et al. Image-guided versus blind glucocorticoid injection for shoulder pain. The Cochrane database of systematic reviews, 2012. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22895984
- American Academy of Orthopaedic Surgeons, OrthoInfo. Tennis Elbow (Lateral Epicondylitis). orthoinfo.aaos.org/en/diseases--conditions/tennis-elbow-lateral-epicondylitis

Conteúdo informativo preparado pela equipe do site a partir das referências listadas acima. Ainda não passou pela revisão clínica do Dr. Arthur Faria (CRM-MG 70688, RQE 61843), médico responsável pelo site. Não substitui a consulta: o que vale para o seu caso é definido na avaliação.
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