Dr. Arthur Faria, Medicina Regenerativa, Ortopedia e Traumatologia

De quanto em quanto tempo dá para fazer infiltração? O que pesa na decisão de repetir

Publicado em 29 de outubro de 2026 · Conteúdo informativo, aguardando revisão clínica do Dr. Arthur Faria

Quando uma infiltração ajuda, a pergunta seguinte é quando dá para fazer de novo. Não há um calendário único: o intervalo depende do que foi aplicado, de quanto ajudou e de quanto tempo durou.

Imagem ilustrativa: mãos com luvas preparando seringa e frasco numa bandeja

Resposta rápida

Não existe um intervalo único para repetir infiltração: depende da substância, da articulação e do resultado da anterior. Para o corticoide, a recomendação europeia registra uma regra prática, sem base em pesquisa, de não passar de 3 a 4 aplicações por ano na mesma articulação. O intervalo do seu caso é definido na consulta.

Por que não existe um prazo fixo?

Porque faltam estudos de boa qualidade sobre repetir infiltrações a longo prazo. A recomendação da Aliança Europeia de Associações de Reumatologia (EULAR), de 2021, diz que não há recomendação clara, baseada em evidência, sobre o número adequado de aplicações para a maioria das indicações.

Em vez de um prazo, a EULAR recomenda uma decisão compartilhada, que leve em conta o benefício das infiltrações anteriores e fatores individuais: as outras opções de tratamento, a substância usada, os remédios que a pessoa toma e outras doenças.

Na prática, três perguntas orientam a conversa: a última infiltração ajudou? Por quanto tempo? E o que mais está sendo feito, como fortalecimento e ajuste de carga, para que a infiltração não seja o único tratamento?

Corticoide: quantas vezes por ano?

É a substância com mais cautela na repetição. A regra geralmente aceita, que a EULAR registra deixando claro que não vem de pesquisa, é evitar mais de 3 a 4 aplicações por ano na mesma articulação.

Os estudos que testaram aplicações repetidas apontam para lados diferentes. A EULAR cita dois estudos randomizados na artrose de joelho, com corticoide a cada 3 meses por 2 anos, comparado com soro: um mostrou ganho nos sintomas sem prejuízo ao volume de cartilagem; o outro não mostrou diferença na dor e encontrou mais perda de cartilagem.

Esse segundo estudo, publicado no JAMA em 2017, acompanhou 140 pessoas com artrose de joelho e sinais de inflamação no ultrassom. Depois de 2 anos de aplicações a cada 12 semanas, o grupo do corticoide perdeu mais espessura de cartilagem (0,21 mm contra 0,10 mm) e não teve menos dor que o grupo do soro.

Por isso, repetir corticoide em intervalos curtos não é rotina. Quanto esperar entre uma aplicação e outra, e quantas fazer, é decidido caso a caso.

Ácido hialurônico: dá para repetir o ciclo?

Dá, quando o ciclo anterior ajudou. A Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) diz que, se as aplicações forem eficazes, podem ser repetidas depois de um tempo, em geral 6 meses.

Dependendo do produto, um ciclo tem de 1 a 5 aplicações ao longo de algumas semanas, segundo a AAOS. Uma revisão sistemática de 2018 reuniu 17 estudos sobre ciclos repetidos no joelho: em todos, a dor diminuiu no primeiro ciclo e se manteve ou diminuiu mais nos seguintes, com efeitos adversos parecidos com os do primeiro ciclo e nenhum evento grave relatado. O estudo mais longo repetiu as aplicações a cada 6 meses por 25 meses.

Isso não quer dizer que todo mundo deva repetir. A própria AAOS lembra que parte das pessoas não melhora com o ácido hialurônico; nesse caso, repetir o mesmo tratamento faz pouco sentido. O número de aplicações por ciclo é tema de dose única ou várias aplicações de ácido hialurônico.

E o PRP, quantas sessões e com que intervalo?

Ainda não há consenso sobre o número de aplicações de PRP. Os estudos comparados usaram de uma a três aplicações, com protocolos diferentes entre si.

Uma revisão com metanálise de 2019 reuniu 5 estudos randomizados, com 301 pessoas com artrose de joelho, comparando uma aplicação com duas ou três. Aos 6 meses, a melhora da dor foi parecida; a função do joelho foi mais favorável com várias aplicações, principalmente com três. Os próprios autores consideram a evidência insuficiente para uma conclusão firme.

Quando há indicação de PRP, o número de sessões e o espaço entre elas são definidos na consulta, junto com o plano de reabilitação, do qual o PRP é complemento. Veja PRP.

O que mais pesa na hora de decidir repetir?

O resultado da anterior, a segurança e o momento do tratamento como um todo. Em algumas situações, a resposta é esperar ou mudar de caminho.

  • Benefício anterior: a EULAR coloca o resultado das infiltrações anteriores no centro da decisão de repetir.
  • Diabetes: o corticoide pode subir a glicose nos primeiros dias, do primeiro ao terceiro, segundo a EULAR, o que pesa quando as aplicações se repetem. Veja diabetes e infiltração.
  • Cirurgia de prótese planejada: a EULAR recomenda que a infiltração seja feita pelo menos 3 meses antes da cirurgia de prótese da articulação.
  • Outras opções: a decisão também considera o que mais existe para o seu caso, além de infiltrar de novo.

Os efeitos de cada substância e o que é raro ou comum estão em riscos da infiltração. Para entender até onde a infiltração vai, leia infiltração resolve ou só alivia?.

Se quiser saber se o seu caso tem indicação, o caminho é a consulta: agendar pelo WhatsApp particular ou, pelo convênio, falar com a Clínica Santa Marta.

Dúvidas frequentes

Se a infiltração não fez efeito, posso repetir logo?

Antes, vale conferir se o prazo de efeito daquela substância já passou, porque algumas demoram semanas. Se passou e não houve melhora, a conversa é sobre o diagnóstico e o plano, e não só sobre repetir. Veja quanto tempo a infiltração leva para fazer efeito.

Posso trocar de substância na próxima vez?

Pode acontecer. A escolha é individual e depende do diagnóstico, do que já foi tentado e da resposta anterior, e é feita na consulta.

Repetir infiltração estraga a articulação?

Para o corticoide repetido no joelho, a evidência é dividida: um estudo de 2 anos encontrou mais perda de cartilagem, outro não. Para ciclos repetidos de ácido hialurônico, a revisão de 2018 não encontrou mais efeitos adversos que no primeiro ciclo. Por isso a frequência é pensada caso a caso.

Referências

  1. Uson J et al. EULAR recommendations for intra-articular therapies. Annals of the rheumatic diseases, 2021. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34035002
  2. McAlindon TE et al. Effect of Intra-articular Triamcinolone vs Saline on Knee Cartilage Volume and Pain in Patients With Knee Osteoarthritis: A Randomized Clinical Trial. JAMA, 2017. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28510679
  3. American Academy of Orthopaedic Surgeons, OrthoInfo. Viscosupplementation Treatment for Knee Arthritis. orthoinfo.aaos.org/en/treatment/viscosupplementation-treatment-for-knee-arthritis
  4. Altman R et al. Efficacy and safety of repeated courses of hyaluronic acid injections for knee osteoarthritis: A systematic review. Seminars in arthritis and rheumatism, 2018. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29496227
  5. Vilchez-Cavazos F et al. Comparison of the Clinical Effectiveness of Single Versus Multiple Injections of Platelet-Rich Plasma in the Treatment of Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis. Orthopaedic journal of sports medicine, 2019. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31897409
Dr. Arthur Faria
Sobre este texto

Conteúdo informativo preparado pela equipe do site a partir das referências listadas acima. Ainda não passou pela revisão clínica do Dr. Arthur Faria (CRM-MG 70688, RQE 61843), médico responsável pelo site. Não substitui a consulta: o que vale para o seu caso é definido na avaliação.

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