Dr. Arthur Faria, Medicina Regenerativa, Ortopedia e Traumatologia

Infiltração no cotovelo: quando faz sentido no cotovelo de tenista e quando não faz

Publicado em 29 de outubro de 2026 · Conteúdo informativo, aguardando revisão clínica do Dr. Arthur Faria

No cotovelo, a infiltração é quase sempre discutida por causa do cotovelo de tenista, a epicondilite lateral. É também um dos lugares em que os estudos mais claramente mostraram que alívio rápido e bom resultado em um ano nem sempre andam juntos.

Imagem ilustrativa: mãos com luvas posicionando o transdutor de ultrassom sobre um ombro

Resposta rápida

No cotovelo, a infiltração aparece sobretudo no cotovelo de tenista. O corticoide alivia rápido, mas num estudo randomizado teve resultado pior em um ano e mais recaída que o placebo. Uma meta-análise aponta resultados mais favoráveis do PRP no longo prazo. Como a maioria melhora sem cirurgia, a infiltração entra quando a dor persiste.

Quando a infiltração no cotovelo é considerada?

Quando o cotovelo de tenista continua doendo apesar do tratamento inicial: ajuste de atividade, exercícios, órtese e remédios. Na maioria das pessoas, esse tratamento sem cirurgia resolve.

Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), de 80% a 95% das pessoas com cotovelo de tenista têm sucesso com tratamento não cirúrgico, que inclui repouso relativo, remédios, fisioterapia com exercícios para o antebraço, órtese e, em alguns casos, infiltração. A cirurgia é considerada quando não há resposta depois de 6 a 12 meses de tratamento.

Os estudos de infiltração citados aqui incluíram quem já tinha dor havia mais tempo: num deles, mais de 6 semanas; noutro, pelo menos 3 meses e falha do tratamento convencional. Entenda o quadro em cotovelo de tenista.

O que acontece com o corticoide no cotovelo de tenista?

Ele alivia rápido, mas o efeito se inverte com o tempo. Em estudos de boa qualidade, quem recebeu corticoide ficou pior em médio e longo prazo do que quem não recebeu.

Uma revisão publicada na Lancet em 2010 mostrou efeito grande do corticoide sobre a dor no curto prazo, por volta de 4 semanas, em comparação com nenhuma intervenção. Em 26 e 52 semanas, o resultado se inverteu e favoreceu quem não recebeu corticoide. Um estudo randomizado de 2013, com 165 pessoas, foi mais longe: em 1 ano, 83% do grupo do corticoide estava recuperado ou com melhora importante, contra 96% do grupo placebo, e a recaída foi de 54% contra 12%.

A AAOS recomenda usar o corticoide com muita parcimônia no cotovelo de tenista, porque o uso excessivo pode enfraquecer o ponto onde o tendão se prende ao osso. Uma revisão de 2023 acrescenta afinamento e clareamento da pele como efeitos possíveis em partes moles.

E o PRP no cotovelo?

Numa meta-análise que comparou PRP, sangue do próprio paciente e corticoide, o PRP teve os resultados mais favoráveis no longo prazo, embora nem todos os estudos concordem. A melhora tende a aparecer depois de semanas, não de dias.

Uma meta-análise em rede de 2020, com 20 estudos randomizados e 1.271 pacientes, colocou o corticoide em primeiro lugar no curto prazo, até 2 meses, e o PRP em primeiro lugar no longo prazo, para dor e função. Num estudo randomizado com 230 pacientes, não houve diferença em 12 semanas entre PRP e o grupo controle, que também recebeu agulhamento do tendão; em 24 semanas, o grupo do PRP teve mais sucesso (83,9% contra 68,3%).

Uma meta-análise de 2017 sobre tendinopatias encontrou resultado mais favorável com PRP rico em leucócitos aplicado com guia por ultrassom. A AAOS resume que alguns estudos foram inconclusivos e outros promissores. Quando há indicação, o PRP é definido caso a caso, como complemento da reabilitação. Veja PRP e cotovelo de tenista sem parar de jogar.

Outras substâncias aparecem nos estudos?

Sim. Na revisão de 2010, ácido hialurônico, toxina botulínica e proloterapia reduziram a dor no cotovelo de tenista em comparação com placebo, em diferentes prazos.

Os autores concluíram que, apesar do efeito do corticoide no curto prazo, as infiltrações sem corticoide podem ser úteis no tratamento de longo prazo. Eles também alertaram para não generalizar: a resposta varia muito de um tendão para outro, e o que vale para o cotovelo não vale automaticamente para o ombro ou o tendão de Aquiles. Sobre a proloterapia, veja proloterapia.

Quando a infiltração no cotovelo não faz sentido?

No início do quadro, antes do tratamento de base; com infecção no local, fratura ou alergia à substância; e, em geral, na bursite da ponta do cotovelo sem infecção, em que o corticoide não mostrou benefício.

Uma revisão sistemática de 2014 sobre a bursite do olécrano, a bolsa de líquido na ponta do cotovelo, encontrou que o corticoide na bursite sem infecção se associou a mais complicações e a atrofia da pele, sem melhorar o resultado. Retirar o líquido com agulha não aumentou o risco de infecção. A evidência é de baixa qualidade, baseada sobretudo em séries de casos.

Também não faz sentido repetir corticoide no mesmo tendão, nem infiltrar antes de confirmar que a dor vem do tendão. A AAOS cita raio-X para descartar artrose do cotovelo e ressonância para avaliar o tendão quando preciso. A indicação é individual. Os riscos gerais estão em riscos da infiltração.

Se quiser saber se o seu caso tem indicação, o caminho é a consulta: agendar pelo WhatsApp particular ou, pelo convênio, falar com a Clínica Santa Marta.

Dúvidas frequentes

Preciso parar de jogar tênis para tratar?

A AAOS orienta parar ou diminuir, por algumas semanas, o esporte e as atividades que provocam dor. Isso não quer dizer parar de vez: o ajuste de carga e a volta gradual são combinados na consulta.

Quanto tempo o PRP leva para fazer efeito no cotovelo?

Semanas. No estudo com 230 pacientes, a diferença a favor do PRP apareceu em 24 semanas, não em 12. A AAOS descreve, no exemplo do tendão de Aquiles, que a dor no local pode até aumentar na primeira ou segunda semana depois do PRP. Veja quanto tempo a infiltração leva para fazer efeito.

Fisioterapia ainda é necessária depois da infiltração?

Sim. A AAOS cita exercícios específicos de fortalecimento do antebraço como parte do tratamento. A infiltração, quando indicada, complementa esse trabalho, não o substitui.

Referências

  1. American Academy of Orthopaedic Surgeons, OrthoInfo. Tennis Elbow (Lateral Epicondylitis). orthoinfo.aaos.org/en/diseases--conditions/tennis-elbow-lateral-epicondylitis
  2. Coombes BK et al. Efficacy and safety of corticosteroid injections and other injections for management of tendinopathy: a systematic review of randomised controlled trials. Lancet (London, England), 2010. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20970844
  3. Coombes BK et al. Effect of corticosteroid injection, physiotherapy, or both on clinical outcomes in patients with unilateral lateral epicondylalgia: a randomized controlled trial. JAMA, 2013. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23385272
  4. Tang S et al. Platelet-Rich Plasma Vs Autologous Blood Vs Corticosteroid Injections in the Treatment of Lateral Epicondylitis: A Systematic Review, Pairwise and Network Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. PM & R : the journal of injury, function, and rehabilitation, 2020. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31736257
  5. Mishra AK et al. Efficacy of platelet-rich plasma for chronic tennis elbow: a double-blind, prospective, multicenter, randomized controlled trial of 230 patients. The American journal of sports medicine, 2014. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23825183
  6. Fitzpatrick J et al. The Effectiveness of Platelet-Rich Plasma in the Treatment of Tendinopathy: A Meta-analysis of Randomized Controlled Clinical Trials. The American journal of sports medicine, 2017. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27268111
  7. Creech-Organ JA et al. Joint and Soft Tissue Injections. American family physician, 2023. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37590853
  8. Sayegh ET et al. Treatment of olecranon bursitis: a systematic review. Archives of orthopaedic and trauma surgery, 2014. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25234151
  9. American Academy of Orthopaedic Surgeons, OrthoInfo. Platelet-Rich Plasma (PRP). orthoinfo.aaos.org/en/treatment/platelet-rich-plasma-prp
Dr. Arthur Faria
Sobre este texto

Conteúdo informativo preparado pela equipe do site a partir das referências listadas acima. Ainda não passou pela revisão clínica do Dr. Arthur Faria (CRM-MG 70688, RQE 61843), médico responsável pelo site. Não substitui a consulta: o que vale para o seu caso é definido na avaliação.

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