Dr. Arthur Faria, Medicina Regenerativa, Ortopedia e Traumatologia

Não vou parar de jogar tênis. O que posso fazer para melhorar a dor no cotovelo?

Publicado em 9 de outubro de 2026 · Revisado em outubro de 2026 · Dr. Arthur Faria, CRM-MG 70688

Dá para tratar o cotovelo de tenista sem abandonar a quadra, na maioria dos casos. O caminho é reduzir sem parar, revisar o equipamento, fortalecer os extensores do punho do jeito certo e, se a dor persistir depois de alguns meses, avaliar a infiltração guiada por ultrassom.

Imagem ilustrativa: antebraço e cotovelo de quem segura uma raquete de tênis

Por que o cotovelo dói justamente ao jogar?

A dor vem do tendão que estende o punho, na inserção dele no osso da parte de fora do cotovelo. O backhand, o saque e a pegada forte na raquete puxam esse tendão repetidamente. Com o tempo, ele se desorganiza e passa a doer em movimentos simples, como apertar a mão ou levantar uma xícara.

Não é uma inflamação clássica, e sim uma degeneração por sobrecarga. Por isso, parar de vez alivia por um tempo e a dor volta quando o jogo volta, e por isso o anti-inflamatório ajuda pouco a longo prazo.

Como reduzir sem parar?

Diminua temporariamente o volume e a intensidade: menos sets, menos treinos de saque, backhand de duas mãos por um período. O objetivo é manter o tendão em uso, abaixo do limite que dói, enquanto ele se adapta.

Revise o equipamento: tensão das cordas um pouco mais baixa, empunhadura no tamanho certo, raquete não muito pesada nem com o balanço na cabeça. A órtese de cotovelo (tensor) usada durante o jogo redistribui a tração no tendão e costuma reduzir a dor na hora.

Qual exercício funciona de verdade?

O fortalecimento excêntrico dos extensores do punho: com um peso leve ou um elástico, o punho desce devagar, resistindo ao movimento, e sobe com ajuda da outra mão. Feito todos os dias por semanas, é o exercício com mais apoio na literatura para a epicondilite lateral.

A dor leve durante o exercício é aceitável; a dor que piora no dia seguinte indica que a carga passou do ponto. O fisioterapeuta ajusta a progressão. A melhora costuma ser gradual, ao longo de semanas a alguns meses.

E se a dor não passar: infiltração?

Quando o tratamento acima foi bem feito por alguns meses e a dor persiste, a infiltração guiada por ultrassom é uma opção. A epicondilite lateral é uma das lesões com mais estudos sobre o PRP, que mostram resultado mais favorável a médio prazo do que o corticoide, que alivia rápido mas tende a piorar depois de alguns meses.

O PRP é feito em geral uma única vez, com o seu próprio sangue, aplicado no tendão com o ultrassom. Depois, alguns dias de repouso relativo e a reabilitação retomada. O retorno à quadra é progressivo, ao longo de semanas, com prazo definido na consulta.

A cirurgia é rara nessa condição e fica para a minoria que não melhora com nada disso depois de mais de um ano.

Se quiser saber se o seu caso tem indicação, o caminho é a consulta: agendar pelo WhatsApp particular ou, pelo convênio, falar com a Clínica Santa Marta.

Dúvidas frequentes

Posso jogar com a órtese e ignorar a dor?

A órtese reduz a dor, mas não trata a causa. Sem ajuste de carga e fortalecimento, o tendão continua sobrecarregado.

Gelo depois do jogo ajuda?

Ajuda a reduzir o desconforto nas horas seguintes. Quinze a vinte minutos, com proteção na pele.

Corticoide resolve rápido?

Alivia em dias, mas a recidiva é frequente e o resultado a médio prazo é pior do que não infiltrar. É usado só em situações pontuais, com limite de repetições.

Referências

  1. Coombes BK, Bisset L, Vicenzino B. Efficacy and safety of corticosteroid injections and other injections for management of tendinopathy: a systematic review of randomised controlled trials. The Lancet, 2010.
  2. Mishra AK et al. Efficacy of platelet-rich plasma for chronic tennis elbow: a double-blind, prospective, multicenter, randomized controlled trial of 230 patients. The American Journal of Sports Medicine, 2014.
  3. Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC).
Dr. Arthur Faria
Dr. Arthur Faria

Ortopedista e traumatologista, CRM-MG 70688, RQE 61843, TEOT 19581. Texto escrito e revisado pelo médico em outubro de 2026.

Quer avaliar o seu cotovelo?

A consulta particular acontece às segundas, das 8h às 12h, na Lídice, em Uberlândia. Valor: R$ 450,00. Se for usar convênio, o caminho é a Clínica Santa Marta.

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