Dr. Arthur Faria, Medicina Regenerativa, Ortopedia e Traumatologia

Infiltração no calcanhar e na fascite plantar: dói, funciona e quando é considerada

Publicado em 29 de outubro de 2026 · Conteúdo informativo, aguardando revisão clínica do Dr. Arthur Faria

A dor no calcanhar ao dar os primeiros passos de manhã é o sinal mais conhecido da fascite plantar. Quando ela não melhora, a infiltração entra na conversa, e junto vêm duas dúvidas: se dói e se vale a pena. Os estudos ajudam a responder as duas, com algumas ressalvas.

Imagem ilustrativa: mãos com luvas preparando seringa e frasco numa bandeja

Resposta rápida

A infiltração no calcanhar pode incomodar, como qualquer injeção, e na maioria dos estudos o corticoide foi aplicado junto com anestésico local. Na fascite plantar ela não é o primeiro passo: entra quando alongamento, calçado e outras medidas não bastaram, e o alívio do corticoide tende a ser curto.

Infiltração no calcanhar dói?

Pode doer, e é honesto dizer que essa dor quase não foi medida pelos estudos. Uma revisão Cochrane com 39 estudos e cerca de 2.500 adultos observou que nenhum deles relatou a dor depois da injeção como resultado.

O que se sabe é que, em 34 desses 39 estudos, o corticoide foi aplicado junto com um anestésico local. A injeção é feita na fáscia plantar, que se prende no osso do calcanhar; o ponto de maior dor costuma ficar na sola, logo à frente desse osso.

Se e como usar anestésico, e por onde a agulha entra, são definidos pelo médico conforme o caso. Se você tem medo de agulha ou já passou mal com injeção, avise antes. Para o que se sente em infiltrações de modo geral, veja infiltração dói? O que você sente durante e depois.

Por que a infiltração não é o primeiro passo na fascite plantar?

Porque a maioria das pessoas melhora com medidas simples. Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), mais de 90% dos pacientes com fascite plantar melhoram em até 10 meses depois de começar esse tratamento.

A fascite plantar é a irritação da fáscia plantar, uma faixa firme de tecido logo abaixo da pele da sola, que liga o calcanhar à frente do pé e sustenta o arco. A dor costuma aparecer nos primeiros passos ao sair da cama ou depois de muito tempo sentado, e melhora depois de alguns minutos andando. Também tende a piorar depois da atividade, e não durante.

As medidas que a AAOS descreve antes das injeções são reduzir o que piora a dor, alongar a panturrilha e a fáscia, gelo, calçado com bom amortecimento, palmilhas, tala noturna e fisioterapia. As injeções aparecem como opção quando os sintomas continuam depois de vários meses desse tratamento.

E o esporão? Ele pode aparecer no raio-X, mas não é a causa da dor da fascite plantar, e a maioria das pessoas com esporão no calcanhar não sente dor. O tratamento é da fáscia, não do esporão.

O que os estudos mostram sobre a infiltração com corticoide?

Que o alívio, quando vem, tende a ser pequeno e curto. A revisão Cochrane encontrou evidência de baixa qualidade de que o corticoide pode reduzir um pouco a dor do calcanhar no primeiro mês, sem diferença em relação ao placebo ou a nenhum tratamento entre um e seis meses.

Outra revisão, publicada em 2019, reuniu 47 estudos com quase 3 mil participantes. O corticoide foi mais eficaz que algumas comparações no curto prazo, como as palmilhas, mas não foi mais eficaz que uma injeção de placebo. No prazo mais longo, de 13 a 52 semanas, foi menos eficaz que o PRP e que o agulhamento a seco.

Isso não quer dizer que a infiltração não sirva para ninguém. Quer dizer que ela pode aliviar a dor por um tempo, enquanto o alongamento, o calçado e o fortalecimento fazem o trabalho de longo prazo. A qualidade da maioria desses estudos é baixa, o que pede cautela em qualquer conclusão.

Quais os riscos de infiltrar a fáscia plantar?

O risco mais lembrado é a ruptura da fáscia. A AAOS explica que o corticoide pode enfraquecer a fáscia plantar e levar a uma ruptura, que pode achatar o pé e deixar dor crônica, e que por isso o médico pode limitar ou evitar essa infiltração.

Na revisão Cochrane, juntando os 21 estudos que relataram efeitos adversos, houve 2 rupturas da fáscia e 3 infecções no local da injeção entre 699 pessoas que receberam corticoide. Os autores alertam que esses eventos foram pouco relatados, então um risco maior não pode ser descartado.

Por isso, a decisão de infiltrar, quantas vezes e com qual substância é individual. Ela leva em conta há quanto tempo a dor existe, o que já foi tentado e a sua rotina. Mais sobre o tema em riscos da infiltração: o que é comum e o que é raro.

PRP e ultrassom mudam alguma coisa?

Podem mudar, mas a evidência ainda tem limites. Os estudos sugerem que o PRP alivia a dor por mais tempo que o corticoide e que a guia por ultrassom torna a aplicação do corticoide mais eficaz do que a feita só pela palpação.

Uma meta-análise de 15 estudos, publicada em 2021, encontrou resultado parecido entre PRP e corticoide no primeiro mês e vantagem para o PRP na dor aos 3, 6 e 12 meses. Os próprios autores pedem cautela: muitos estudos tinham alto risco de viés e cada um preparou o PRP de um jeito. A AAOS lembra que o PRP não tem o mesmo risco de ruptura da fáscia do corticoide, mas que ainda falta pesquisa sobre a eficácia.

Sobre a guia, uma meta-análise de 5 estudos randomizados, com 149 pacientes, encontrou resultados a favor da injeção de corticoide guiada por ultrassom na dor e na espessura da fáscia. É pouca gente, e os autores dizem que isso ainda precisa ser confirmado. Veja por que a imagem importa em infiltração guiada por ultrassom.

Quando há indicação, o PRP é uma opção definida caso a caso e sempre como complemento da reabilitação, não como substituto dela. As outras opções estão em infiltrações.

Se quiser saber se o seu caso tem indicação, o caminho é a consulta: agendar pelo WhatsApp particular ou, pelo convênio, falar com a Clínica Santa Marta.

Dúvidas frequentes

Toda dor no calcanhar é fascite plantar?

Não. Tendinite do tendão de Aquiles na inserção, fratura por estresse do calcanhar e compressão de nervo podem causar dor parecida. Por isso o exame físico vem antes de qualquer infiltração, e o raio-X pode ser pedido para afastar outras causas.

A infiltração substitui o alongamento?

Não. Segundo a AAOS, alongar a panturrilha e a fáscia é a forma mais eficaz de aliviar a dor da fascite plantar, e os exercícios de alongamento devem continuar mesmo quando se faz alguma injeção.

Posso andar depois da infiltração no calcanhar?

O quanto apoiar o pé, se precisa de algum calçado específico e quando voltar a correr ou a ficar muito tempo em pé são combinados na consulta, conforme a substância usada e a sua rotina.

Referências

  1. David JA et al. Injected corticosteroids for treating plantar heel pain in adults. The Cochrane database of systematic reviews, 2017. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28602048
  2. Whittaker GA et al. Corticosteroid injection for plantar heel pain: a systematic review and meta-analysis. BMC musculoskeletal disorders, 2019. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31421688
  3. Hohmann E et al. Platelet-Rich Plasma Versus Corticosteroids for the Treatment of Plantar Fasciitis: A Systematic Review and Meta-analysis. The American journal of sports medicine, 2021. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32822236
  4. Li Z et al. Ultrasound- versus palpation-guided injection of corticosteroid for plantar fasciitis: a meta-analysis. PloS one, 2014. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24658102
  5. American Academy of Orthopaedic Surgeons, OrthoInfo. Plantar Fasciitis and Bone Spurs. orthoinfo.aaos.org/en/diseases--conditions/plantar-fasciitis-and-bone-spurs
Dr. Arthur Faria
Sobre este texto

Conteúdo informativo preparado pela equipe do site a partir das referências listadas acima. Ainda não passou pela revisão clínica do Dr. Arthur Faria (CRM-MG 70688, RQE 61843), médico responsável pelo site. Não substitui a consulta: o que vale para o seu caso é definido na avaliação.

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