Tenho artrose no joelho e já faço fortalecimento, mas ainda sinto dor. O que mais posso fazer?
Publicado em 12 de outubro de 2026 · Revisado em outubro de 2026 · Dr. Arthur Faria, CRM-MG 70688
Essa é uma das perguntas que mais ouço. A resposta curta: o fortalecimento continua, e sobre ele entram, nesta ordem, o ajuste do exercício, o controle do peso, a medicação planejada e, como complemento, a infiltração guiada por ultrassom. A cirurgia fica para os casos avançados.

Por que ainda dói, se eu já fortaleço?
Porque a artrose é uma doença da articulação inteira, não só do músculo. O fortalecimento reduz a carga sobre a cartilagem e estabiliza o joelho, e é por isso que ele é a base do tratamento. Mas ele não muda o atrito dentro da articulação nem resolve sozinho a inflamação da membrana que a reveste.
Antes de somar qualquer coisa, vale olhar o próprio exercício: muitas vezes o programa é bom, mas a carga está alta demais para a fase da artrose, ou faltam exercícios de mobilidade e de equilíbrio. Um ajuste de tipo, volume e progressão, feito com o fisioterapeuta, já muda a resposta em boa parte dos casos.
Peso e remédio ainda fazem diferença?
Fazem. Cada quilo a menos reduz a carga sobre o joelho ao caminhar, e as diretrizes de artrose colocam o controle de peso ao lado do exercício como medida central. A medicação entra de forma planejada: analgésico simples nos dias de mais dor, anti-inflamatório por períodos curtos e em quem pode usá-lo, nunca de forma contínua por conta própria.
Gel anti-inflamatório tópico é uma opção com menos efeito no estômago e no rim, especialmente em quem tem mais de 60 anos ou outras doenças.
Quando a infiltração entra?
Quando você já faz tudo isso e a dor segue limitando as atividades do dia a dia: subir escada, agachar, caminhar mais tempo. Nesse ponto, a infiltração guiada por ultrassom pode entrar como complemento, com a substância escolhida conforme o grau da artrose e o seu histórico.
- Ácido hialurônico (viscossuplementação): repõe um gel parecido com o líquido que lubrifica a articulação. Usado sobretudo em artrose leve a moderada.
- PRP: concentrado de plaquetas do seu sangue. Os estudos mostram alívio de dor na artrose leve a moderada, sempre como complemento e com consentimento por escrito.
- Corticoide: alívio rápido nas crises de inflamação, com limite de repetições, porque em excesso pode prejudicar a cartilagem.
Nenhuma delas reconstrói a cartilagem. O que se espera é menos dor por um período, que varia de pessoa para pessoa, para que o fortalecimento e a rotina sigam. Número de aplicações e intervalo são definidos na consulta.
E se nada disso bastar?
Aí a conversa é sobre cirurgia. Na artrose avançada, com deformidade e dor em repouso, a prótese de joelho é o tratamento com a evidência mais consistente para devolver função. Não encaro a infiltração como forma de fugir da cirurgia: ela pode adiar e manter você ativo, mas quando a prótese é a indicação, é isso que vou dizer.
O que define o caminho é a consulta: a sua rotina, o exame físico, o raio-X com carga e, quando útil, o ultrassom feito na hora, que mostra líquido e inflamação na articulação.
Se quiser saber se o seu caso tem indicação, o caminho é a consulta: agendar pelo WhatsApp particular ou, pelo convênio, falar com a Clínica Santa Marta.
Dúvidas frequentes
Preciso parar de caminhar?
Não. Caminhar em piso regular, com calçado adequado e volume ajustado, costuma ser bem tolerado. O que se evita é o impacto repetido em dias de crise.
Colágeno ou suplemento ajudam?
A evidência para suplementos na artrose é fraca e inconsistente. Não substituem exercício, controle de peso e tratamento médico; se quiser usar, converse na consulta.
Infiltração dói?
Há um desconforto breve na entrada da agulha, reduzido pela anestesia local. Guiar por ultrassom permite posicionar a agulha uma vez só.
Referências
- Bannuru RR et al. OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis and Cartilage, 2019.
- American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS). Management of Osteoarthritis of the Knee (Non-Arthroplasty), Evidence-Based Clinical Practice Guideline, 3ª edição, 2021.
- Kolasinski SL et al. 2019 American College of Rheumatology/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis Care & Research, 2020.

Ortopedista e traumatologista, CRM-MG 70688, RQE 61843, TEOT 19581. Texto escrito e revisado pelo médico em outubro de 2026.
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Quer saber o que entra no seu caso?
A consulta particular acontece às segundas, das 8h às 12h, na Lídice, em Uberlândia. Valor: R$ 450,00. Se for usar convênio, o caminho é a Clínica Santa Marta.